OS TRATOS DO CÓDIGO DA FAMÍLIA
A principal distinção que devemos fazer sobre a matéria: “o que Deus pode fazer com seus filho desobedientes?”, é que Deus trata de duas maneiras:
Sumário
Deus trata de duas maneiras:
1. A Primeira delas, a perda, o prejuízo. Deus lida conosco nos privando ou tirando coisas; “até o que tem lhe será tirado”. Todo cristão que precisa ser tratado enfrentará isso no código de família “do dono da casa”. A perda, o prejuízo.
2. A Segunda delas, a ferida; no primeiro caso, estudamos a questão das perdas que sofremos em vida e que sofreremos em situação do Pós-Morte em seguida ao Tribunal de Cristo. A primeira “dor” que recebemos está no prejuízo, como se perdêssemos um montante de dinheiro que guardamos e tivemos que, obrigatoriamente, usá-lo sem que fosse nossa intenção; como, por exemplo, bati o carro, agora tenho que usar quase todo o dinheiro que poupei; ou como um prejuízo que tivemos na má escolha ou decisão de algo. Essa dor, não é relacionada a algo que recebemos, mas que perdemos; todavia, existe a “dor” que vem de algo que recebemos, a Bíblia chama isso de “ferida” ou “dano”.
Assim, destacamos que o padrão de Deus, por ora, é esse: nos tratar com aquilo que devemos perder e com aquilo que devemos receber. O primeiro trata-se de um prejuízo, já o segundo, de uma ferida.
Deus nos fará perder quando for necessário e nos ferirá quando também for necessário.
Watchman Nee certa vez falou disso; suas mensagens acerca dos tratos de Deus se tornaram um livro muito precioso chamado “Liberação do Espírito”. O que podemos aprender neste livro? O Senhor nos fere constantemente com situações e dificuldades. Pedro chama isso de um fogo ardente (1Pe 4.12). O irmão Nee usou no seu estudo a palavra “quebrantamento”.
Watchman considerava duas ilustrações, a do vaso de alabastro quebrado e a do grão de trigo caindo na terra. Ambas ilustrações nos remetem ao quebrantamento do Espírito Santo. Mas a quebradura só tinha uma meta: liberar a vida. O óleo do alabastro era figura do Espírito Santo saindo de um homem ou uma mulher quebrados pelas circunstâncias. Pois é interesse do próprio Espírito Santo sair canalizado por cada discípulo de Cristo. O grão de trigo também foi quebrado, referindo-se à sua casca, pois ela escondia a vida. Deus nos leva a esse quebrantamento porque somos Seus filhos. É obra do Espírito. Pois o código de família é que é impresso na vida do filho.
Às vezes vamos sofrer prejuízo; isso é um dano; outras vezes, feridas que também são um dano. O Senhor trabalha com ambos.
Nunca sabemos por qual motivo perdemos algo ou coisas ruins nos acontecem. Isto se deve ao fato de que estamos no começo da história. Sempre que chegamos mais perto do fim de algum assunto, começamos a ver como Deus foi bondoso conosco, nos tratando e até mesmo privando-nos de algo que seria pior. É o trato em família. É imprimindo em nós Sua forma, Sua ótica, Seu caráter.
O Código da Família contém informações advindas do Bendito Espírito Santo. Tais, governadas pelo Paracleto, são os recursos de quebrantamento dos filhos de Deus. São informações que, na verdade, são como experimentações; elas vêm do código de Deus.
Os filhos de Deus precisam de quebraduras para que sejam úteis ao Senhor.
A moção de ações que levam os filhos a serem talhados está neste código que se torna informação. Tanto o código quanto a informação estão sob controle do Espírito Santo. Mas a informação também é acessada pela Igreja.
O Código da Família é algo de Deus; contém Suas vontades; para nós é um tanto incompreensível, assim como todo código de um modo geral. Pensemos em programadores: o que eles fazem? Eles escrevem e interpretam códigos, mas os códigos nas suas mãos se tornarão informação. Informação é aquilo que é compreensível por todos. Se você acessa uma loja virtual para fazer uma compra, notará o botão ‘comprar’; por trás daquele botão há uma enorme complexidade de ações, como verificar se o usuário está autenticado, se o produto está dentro do estoque, se o ambiente está seguro para prosseguir, e uma série de outras ações de finalização, como método de pagamento e localização.
O que quero dizer? Esse botão foi construído em meio a muitos códigos cuja complexidade as pessoas leigas não têm noção, e o programador tem que entregar de forma palatável toda a regra de negócio para o usuário final fazer uma compra.
No Código de Família temos algo semelhante, pois o código pode ser agnóstico para nós e, ao mesmo tempo, sem o menor sentido. Mas quem deve lidar com Ele é o Espírito Santo. O Espírito Santo é como se fosse o programador. O que Ele fará? Transformará esse código em informação aos filhos de Deus, ao passo que esses filhos poderão corresponder como se estivessem “apertando o botão”. Do mesmo jeito que um e-commerce deve levar informações e funcionalidades para que o usuário final faça uma compra, o Espírito Santo processa o Código de Família em nós para que possamos corresponder ao Seu quebrantamento, para que essa informação seja útil a nós e aos que estiverem perto de nós.
O problema é que nós queremos olhar a complexidade do código quando deveríamos ver as funcionalidades da vida cristã promovidas pelo Espírito. É como se quiséssemos entender o porquê sofremos ou por que algo tão desconexo ou negativo nos sobreveio? Esses “porquês” se levantam contra Deus. É tentarmos entender um código complexo demais para nós, quando deveríamos apenas “apertar o botão”. Esse “apertar o botão” é a nossa cooperação no quebrantamento. Os filhos de Deus estão lutando com uma coisa muito pesada: compreender códigos complexos, “regras” que fogem ao nosso alcance, pois se tratam de modelos incompreensíveis com os quais somente Deus pode lidar.
Se continuarmos assim, vamos responder mal à disciplina de Deus. Quando queremos nos transformar ou lutar contra o pecado, usando mecanismos naturais, percebemos que estamos lutando contra uma força muito potente e ficamos muito cansados e estenuados. Mas se, tão somente, compreendêssemos a informação do Espírito: “já morrestes”. E se por meio da fé acessássemos essa bendita funcionalidade, estaríamos experimentando vitória na vida de discípulo. Estamos olhando códigos cheios de abstração, quando deveríamos olhar para a informação do Espírito que chega ao nosso espírito.
Dentro das informações há regras (ações) que conduzem à natureza de algo. Por isso que é importante o código ser interpretado.
Quando o código está vinculado a nós, ele ainda é agnóstico; sabemos que ele é real, pois algo dentro de nós pulsa por ele e, mesmo sem saber, sabemos que temos um novo comportamento. Porém, ele é muito intuitivo até se tornar uma informação; quando temos a informação, não precisamos mais de intuição; é como se tivéssemos a revelação. Por isso que revelação e quebrantamento andam juntos; seria tudo mais fácil se aprendêssemos por revelação, mas nem sempre sucederá assim, aliás, raramente; geralmente seremos quebrados pelo código da família de Deus e intuitivamente iremos aprender até tudo ficar mais claro.
Portanto, não desprezemos a oportunidade de termos uma mente renovada e pensamentos dirigidos pelo Espírito.
O que acontece geralmente é que nossos pensamentos estão abarrotados de informações irrelevantes. Coisas da internet e do entretenimento ocupam nossa mente, a ponto de aquilo que está codificado pelo nosso espírito humano, como uma luz divina, não chegar ao nosso conhecimento. Precisamos da experiência de conhecer o código de família. O autor de Hebreus notou nossa incapacidade para isso. É por esta razão que ele diz que, no momento em que somos disciplinados, ficamos tristes; é dolorido; parece não haver compreensão para aquilo, mas depois é motivo de alegria e de crescimento salutar.
O Código de Família Contém Informações
Tudo o que precisamos para cumprir os ensinamentos da montanha de Mateus 5 está dentro de nós; esse código já foi desenvolvido; executá-lo é o que poria as ações em funcionamento. Essas ações serão chamadas de atributos na pessoa; serão seus adjetivos. Por isso que naquela montanha havia as bem-aventuranças. O que são elas? São adjetivos do código de família que todos os regenerados têm em comum.
Esse código antes estava formatado em um conjunto de regras que serviu para a comunidade judaica representar — como nação — a vontade de Deus. Ele é um recurso que veio não da Queda, mas por causa da Queda. Quando o homem come a ciência do bem e do mal, agora ele sai do seu estado de inocência para o estado da ciência. Agora ele sabia o que era o bem e o mal e isto só era possível porque ele praticou o mal.
Nunca seria possível ter conhecimento do bem e do mal sem o mal; pois só havia bem, e neste caso, como só havia bem, não era necessário conhecimento, ciência. Não é necessário saber algo de caráter monolítico. O conhecimento é necessário quando é possível perder uma aquisição anterior; desta forma, precisará de ciência para saber quando caiu do devido padrão.
Que lástima aconteceu com nossos pais edênicos. Eles perderam a capacidade inata para o bem e passaram a conhecer o mal que nunca sopesaram. O que o Senhor tem que fazer então? Se o homem não pode mais fazer o bem naturalmente, mas naturalmente em sua carne agora: “não habita bem algum”. Deus cria “códigos”.
Até chegar Moisés, Deus foi educando os que lhe eram seus. Os meios principais para “esse bem” eram: Invocar seu nome (a partir de Sete) e fazer ofertas (a partir de Abel). Até chegar a Lei.
A Lei é como: “Vocês comeram a ciência do bem e do mal; agora sabem o que é o bem e o mal; façam o BEM!” A lei diz: “Façam o bem!” E, para não haver desculpas, o bem foi descrito na Torá de Moisés; quem não praticasse deveria morrer.
Antes, no estado de inocência, não precisava de lei, pois tudo era bem. A Lei somente é necessária se houver o mal. Mesmo no código civil de toda sociedade só faz sentido porque há o mal e não o bem. A lei serve para fustigar o mal a nível social. Assim, a Lei de Moisés servia para que entre os judeus se separassem os bons e os maus.
Quando chega na Montanha, Jesus diz que não veio descumprir a Lei ou aboli-la; Ele agora veio para fazer aquilo que faltava para a Lei de Moisés; Ele veio completá-la. As nossas traduções dizem que Jesus não veio destruir a Lei, mas cumpri-la. Porém, o aoristo infinitivo grego πληρόω (plēroō) significa literalmente “encher até completar”. Jesus não veio folgar a Lei, mas veio enchê-la. Por isso que Ele ao dizer isso, em seguida, começa a dar novos mandamentos, como não contemplar uma mulher; como não chamar seu irmão de Raka ou Moré. Isto significa que o Senhor “atualizou o código”; agora há um upgrade nas exigências de Deus. Isso é o código de família. Quem os cumpre está dentro das 9 bênçãos das bem-aventuranças; quem negligencia até o menor mandamento vindo da montanha pode até entrar no reino dos céus, mas será pequeno.
Quão elevadas são as exigências da montanha dadas à Igreja! Se tem algo que podemos dizer da Igreja é que ela foi escolhida para cumprir os mandamentos mais elevados que nem mesmo os judeus conseguiram. Mas a Igreja iria conseguir? Sim, e deve!
Não que os santos não vão falhar, sim, claro que vão. Mas hoje temos o sangue mais valioso, por um lado, e a água purificadora, por outro; os judeus tinham bodes e ovelhas.
Não que os santos não sejam disciplinados com infortúnios e dores; os judeus eram educados com esta mesma Lei — a ideia de disciplina é tirada dessa pedagogia conforme vemos em Deuteronômio 8.
O que temos de diferente dos judeus? Nós temos o cumprimento de Ezequiel 36.26 — que é para eles na restauração de Israel — adiantado em nós.
Assim, não temos um manual; temos o Espírito.
Na nossa força natural jamais cumpriremos o código da montanha. Mas temos o Espírito. O executor do código. Nosso Paracleto.
Podemos agora experimentar o poder cirúrgico da cruz de nosso Senhor em nós. Estou crucificado com Cristo (Gl 2.20).
Hei! Não tente ser crucificado todo dia. CREIA! Que Jesus já te matou com Ele e desfrute disso.
Quando tivermos o desfrute da cruz, iremos almejar o sofrimento da montanha; não iremos fugir dele.
Desejaremos sofrer pelo Senhor. Desejaremos ser um vaso quebrado, desejaremos ser quebrantados pelo Espírito Santo.